05 agosto 2002

Bonito isso, e muito sensível. Um pouco grande, mas vale a pensa ser lido até o final...

As mãos suadas e trêmulas buscavam a caixinha guardada no bolso. Olhou as alianças e o relógio. Não sabia ainda se ia fazer a proposta. Ela aceitaria? Nada podia dar errado. Ajustou o dimer para que a luz fosse aconchegante, poliu a prataria inglesa e acendeu as velas. O doce cheiro do buquê de rosas cor de chá arrumadas cuidadosamente sobre a mesa invadia o ambiente mas ele sabia que, assim que ela chegasse, seu perfume tomaria conta do ar. Sim, ela era ar que ele respirava. Ela aceitaria? O toque da campanhia interrompeu seus devaneios. Era o saxofonista. Pensou inicialmente num fundo musical de seis violinos mas decidiu pelo sax para ter mais privacidade. Ela chegou em seguida. Assim que entrou, seu brilho tomou conta da sala. A lua, envergonhada diante de tamanha beleza, se escondeu nos céus. O sax começou a tocar melosamente “Your Song”, enquanto ele estendeu o braço para que pudessem dançar. Sim, faria o pedido. Sentiu o calor inebriante de seu corpo e afastou delicadamente os cabelos negros da orelha para que ela pudesse ouvir o que ele iria dizer. Ela aceitaria? Lentamente, levou a boca ao seu ouvido e disse, numa súplica: “Posso comer seu cu?”.

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